"O doce não é tão doce sem o amargo"

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Já sentiu medo?

medo.. medo de que o amor da sua vida esteja na sua frente dizendo que te quer e você não consegue corresponder, medo de que o que sai da sua boca tão naturalmente seja mentira. medo de fazer a escolha errada, de mergulhar de cabeça e quebrar o pescoço. medo de não ser o que os outros esperavam que você fosse, de não fazer sentido até pras pessoas que te amam. medo de acordar amanhã e ter perdido tudo. talvez essa isônia seja medo.. medo de dormir e ter aquele sonho outra vez, em que ngm mais sabe quem eu sou. medo de jogar tudo pro alto e não conseguir ser feliz.

eu sei que o seu abraço faz eu me sentir protegida, mas não faz o medo parar.

eu nunca quis que isso acontecesse, meu plano passava muito longe de alguma situação assim.

eu queria voltar no tempo, só pra saber quando foi que mudou.

deve ser doença, distúrbio, ou só falta de amor mesmo..

mas a tarde vai acabando e eu vou ficando assim, tristinha. não que eu tenha motivos, não que eu não seja feliz.. mas é que no fim da tarde eu sempre preciso de um abraço.

e fica pior. é só ter um por do sol lindo que uma dor gigante brota no meu coração, que quase grita implorando carinho. não sei dizer o motivo..

deve ser doença, distúrbio, ou só falta de amor mesmo.

like a melody in my head

I can’t get you out of my mind.


the breath that passed from you to me

nenhum problema, tudo estranhamente em ordem. mas vinha uma vontade, um desejo de se preocupar, de estar triste por algum motivo. vontade autodestrutiva de quem não sabia lidar com a sensação de ser feliz por um tempo maior do que algumas horas. tempo passando, mais vontade de se preocupar, que vida é essa na qual tudo dá certo? o que viria depois? nunca gostei de não saber o que vai acontecer depois.. mas, se formos pensar, quem sabe?

quando as coisas vão mal eu já sei como funciona, mas e quando dão certo?

You’re asking me will my love grow
I don’t know, I don’t know
You stick around now it may show
I don’t know, I don’t know

Something – The  Beatles

to die by your side, such a heavenly way to die

O céu estava azul, mas era parcialmente escondido pelas tantas folhas verdes da árvore. O vento suave soprava, fazendo as folhas dançarem e debaixo de tudo isso ela repousava. O mundo todo e todas as pessoas haviam desaparecido da mente dela. Embaixo daquelas folhas e do céu azul, era só ela e seus pensamentos. Diferente dos anteriores, esses não eram tristes.. eram lembranças de todas as pessoas que passaram na vida dela. Memórias de dias felizes e tristes, que juntas faziam de hoje um dia mais especial.

way down inside

Pense no maior clichê do universo.. falar sobre a vida, claro! A vida, a morte e o espaço entre esses dois eventos. Pode ser um espaço curto ou longo, depende muito das suas escolhas durante ele. O fato é que, em vários momentos, sentimos vontade de apenas nos atirarmos do alto de um abismo e ver como vai ser. Escolher nem sempre é fácil, e é por isso que as vezes a própria vida e esse estranho mecanismo que a move escolhe o caminho. Cabendo a nós aceitar ou então criar um novo. Mas certas vezes, a vida tem razão..

Ausência.

Nenhuma nuvem no céu, somente o azul infinito. Mais nada se via no horizonte, além dela sentada em um banco à sombra de uma árvore. A brisa calma soprava do leste, trazia com ela um perfume e umas lembranças. O tempo não existia ali, e os pensamentos eram livres. Centenas desses voando em direção ao azul profundo.

Tudo era calmo, até que o vento mudou. A leve brisa transformou-se em um enfadonho vento, carregando folhas da árvore e trazendo brancas nuvens antes ausentes. O azul intenso era agora sutilmente intercalado por flocos alvos e os pensamentos começavam a se revelar neles. Tantos sonhos, lembranças, arrependimentos.. Todos ali, passando como um filme. Mas um desses era especialmente atraente, um sonho de futuro (inatingível pensava). Era uma tarde ensolarada, um vento sutil, um dégradé de tons róseos no horizonte. Um ombro, aquele que era o encaixe perfeito para sua cabeça. Nenhum som, se não o bater dos corações em sintonia.

No mesmo instante o vento parou, as nuvens se foram, dando lugar ao céu dégradé. A brisa do leste soprou calma outra vez, mas o perfume era cada vez mais forte. Os cabelos esvoaçavam tão naturalmente, e no horizonte começava a se ver algo surgir. Também no rosto dela algo novo aparecia, o róseo do céu mostrava-se também nas maçãs do rosto que se destacavam conforme o sorriso crescia. Quando seus olhos encontraram os olhos amados, brilharam. E naquele descampado ensolarado, o sonho (inatingível) tornou-se real.

Aquele momento nunca teve fim, porque ali o tempo não existia.

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas…
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

Mario Quintana – Poeminha Sentimental

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

he ate my heart..

Ele estava ali, pouco mais de três metros dela. Vindo do mesmo lugar, indo pro mesmo. Sentado, inquieto, mexe nos livros. Coloca os fones e olha pro lado, depois olha para o outro, derrete o coração dela. Passam alguns minutos. Ela, imóvel, nem pisca. Ele fecha o livro e olha através da janela, olha mais uma vez para o lado. Ela imóvel. O tempo passa, ele puxa o cabelo para trás com as mãos.. Ah, seu cabelo! Ah, suas mãos! Ah, meu coração que ele roubou. O tempo não para, assim como a vida. Mas para ela, aquele instante era eterno. Platônico, absolutamente fora da realidade, era uma paixãozinha assim.. infantil. Uma vontade de ter e um medo de não gostar, preferia sonhar. Tão bom que era assim, pra que estragar? A vida real continuava ali, esperando ela no penúltimo ponto daquela linha de amor.

Meio dia de um dia inteiro.

Uma manhã de sol qualquer, estava eu voltando para casa no mesmo caminho de sempre. Estava ouvindo música nos fones e pensando na vida, até que o ônibus parou num semáforo. Enquanto o tempo passava, observei um vendedor de rosas trabalhando na pista ao lado. E ele ia de carro em carro, sempre obtendo a mesma resposta negativa. Mesmo assim, continuava aparentando a mesma alegria. Não notei que estava a um certo tempo olhando para ele, mas ele notou. Sorriu e fez um gesto me oferecendo as flores. E eu permaneci ali, tentando entender a mente do vendedor. O semáforo abriu, ele acenou para mim, retribuí com um sorriso.. Não sei nada sobre esse vendedor, mas ele me ensinou muitas coisas naqueles minutos. O sorriso que ele não deixava cair do rosto, me mostrou que não devemos deixar o mundo estragar nossa felicidade.. por menor que ela seja! As flores, que ele insistentemente tentava vender, vi como uma analogia ao amor. Amor este o qual bate em nossa porta todos os dias, e muitas vezes ouve um não. Pode ser que não tenha nenhum sentido, mas aqueles minutos mudaram meu dia..

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